15 de ago de 2011

desculpe, sou diferente...

... não sinto vontade de rir, de comprar presentes ou de dar um abraço de feliz dia dos pais e dizer que meu pai é o melhor do mundo. ele pode ser muito bacana pra mim em diversas áreas, mas, em suma, meu amor por ele não é o mesmo há alguns parcos anos.

ninguém tem o direito de dizer que eu tô errada. eu queria me dar o direito de falar, de espernear, mas não consigo. me faltam colhões. logo eu, que sou tão corajosa para tantas coisas... para a coisa que deveria ser a mais importante da minha vida eu sou uma topeira.

(...)

desculpa se eu sou diferente. desculpa se eu comprei presente porque me "impuseram" comprar. não é nem falta de personalidade... é que, né, às vezes você se empolga e acaba fazendo o que não quer para não ser taxada de mal agradecida. e isso, desculpa, mas esse ano eu fiz. comprei presente sem a menor vontade de presentear. comprei pra me sentir melhor comigo mesma. (pronto, falei)

me desculpa por ser diferente? me desculpa por querer estar em qualquer outro lugar que não fosse a comemoração do dia dos pais da minha familia?! ah, sim, muito obrigada. desculpa se eu não sou a filha que minha mãe precisa que eu seja, desculpa por eu desejar que os dois se separem. desculpa por tantas coisas que, sinceramente, não sei nem por onde começar.

mas sei como terminar: desculpa por eu não curtir mais o dia dos pais como antes. e que Deus desculpe o meu pai por não me curtir mais como antes.

2 comentários:

Karine disse...

Olha, Val, não tô aqui pra te julgar! É muito forte tudo isso e dar a sua cara, mostrar a sua história. A vida é essa mesma, uns são felizes, outros, nem tanto. Uns tem pais adoráveis, outros, nem tanto. Não há motivos para desculpar-se. Quando se sente e é real, não há motivos para desculpas. E acho válido. Você não é diferente. Será que nesse planeta você é a única que não curte tanto assim seu pai? Pai e mãe também fazem suas merdas, nos magoam, nos colocam lá embaixo. A Bíblia diz ter que honrar pai e mãe. Eu não concordo. E tem muito pai escroto por aí que não merece em nada ser honrado.

E acho digno isso aqui!

Beijos.

.Intense. disse...

Natasha, querida (tem sete vida mas ninguém sabe de nadaaaaaaa ♫), vc às vezes nem é tão diferente: é igual. Oi, prazer. Já contei essa história no blog. E eu não tenho vergonha não, sabe? Desde que meu pai traiu minha mãe, e eu com 11 anos me senti igualmente traída, mudou. Mudou, eu perdi a graça do pai, do dia dos pais, e esse bla bla bla todo. Papai tá ficando velhinho, dando trabalho, e eu perco a paciência às vezes, mas ao mesmo tempo, tenho toda o cuidado e preocupação do mundo. Mas desencanei disso.

Não sinto vontade do abraço, do cheiro no pescoço, do presente escolhido com cuidado nesse dia. Ele tb é desligado e, no máximo, agradece o presente e guarda na gaveta. Ficando velho, ele cismou: guarda as roupas e diz que, quando ficar muito velho e não puder mais trabalhar, vai precisar ter roupas para usar. Por mais engraçado que seja o pensamento - e maluco, eu jamais o deixaria passar esse tipo de necessidade, é meu pai panda - me fez perder a graça até do presente 'socialmente imposto'. As pessoas falam que quando ele morrer, vou me arrepender. A Tia Terapeuta já esclareceu e explicou que a traição não foi comigo. Mas quebrou o cristal. O tal do encanto. Meu pai deixou de ser super herói. E eu deixei de ser super filha.


Se um dia vou me arrepender, não sei. Sei que hoje, com tantos cacos de vidro no meu coração, que eu sou obrigada a pisar, repisar, enfiar mais pro fundo, limpar o sangue, fazer eu mesma meu curativo e chorar eu mesma minhas lágrimas...esse eu deixei de cutucar. Não consigo mais e pronto, pai, essa sou eu. Não sinto que estou punindo ele por um erro lá atrás, só acho que toda ação gera uma reação e a minha foi essa.

Tenho o maior amor e carinho do mundo. Jamais deixaria ele passar necessidade, ficar sozinho doente, precisar de grana, nada disso. Até pq, eu cresço, cresço, cresço...e ele me dá todo suporte - sabe que meu tratamento da depressão em 2008 foi quase todo bancado por ele? Acho que é nossa forma de se apoiar, já que a gente mal conversa, não dialoga mais. Foi o primeiro amor que eu tive. O primeiro amor pisado tb. E eu fiz com ele o que o mundo ensinou: não joguei fora. Só guardei bem no fundo, bem no fundo, bem no fundo. E deixei lá.

=x


Chorei escrevendo isso.
Te odeio.
Mas é só pra vc não se sentir tão sozinha. Existe mais gente como vc e, se for pra ir pro inferno, nos encontramos lá.
;)
;*